quinta-feira, abril 20, 2006

Bastas razões de vergonha

1. "Democraticamente" absolvida nas urnas, como era de esperar, a D.ª Fátima Felgueiras está agora em vias de se ver alijada dos seus problemas judiciais, como também era de esperar. A senhora merece que se lhe tire o chapéu: fez uma sábia gestão dos seus trunfos e dos seus timings e, entre a demissão cívica do seu povo e a demissão institucional da justiça, descobriu o caminho para a impunidade. "Dei uma lição ao país!", exclamou ela, triunfante, na noite de 9 de Outubro. E deu mesmo. A lição foi esta: o único crime que não se perdoa é o da falta de esperteza. O Tribunal da Relação de Guimarães liquidou, de facto, o processo de Fátima Felgueiras, mandando refazer o essencial da instrução e, com isso, remetendo o julgamento para as calendas do ano vindouro. Os desembargadores de Guimarães entenderam que o Ministério Público e o juiz de instrução não fizeram senão asneiras na construção da acusação: as escutas telefónicas são ilegais porque o juiz não as foi validando dentro de "um prazo razoável", e os principais testemunhos acusatórios são nulos porque os depoentes foram ouvidos como testemunhas e não como arguidos, como o deveriam ter sido (e embora, posteriormente, ouvidos como arguidos, tenham confirmado o que haviam dito antes). Pouco importa, todavia, o conteúdo de umas e outras provas: para a justiça portuguesa, a fórmula é tudo, a substância é um estorvo. Longe de mim - valha-me Deus! - contestar a lógica irrebatível dos argumentos dos senhores desembargadores de Guimarães. Limito-me a observar que uma magistratura passou aqui um atestado de incompetência à outra e que tudo se encaminha, uma vez mais, para que os formalismos processuais conduzam à denegação de justiça. Mas, juntas e unidas nas suas lamentações, ambas as magistraturas estão em greve contra o "desprestígio" que o Governo lança sobre elas. Parece que a redução das férias de Verão dos magistrados de dois para um mês e a supressão do regime especial de saúde de que beneficiavam, em troca do regime geral, afectam gravemente as "condições de independência" da classe e indiciam mesmo uma tentativa de controlo político sobre a justiça. Ouvido pela TSF, o presidente do Sindicato dos Juízes, Baptista Coelho, esclareceu que, enquanto órgão de soberania, os magistrados se batem pela sua independência; e, enquanto "carreira profissional", estão em greve por condições privilegiadas de dependência do Estado. Fiquei esclarecido - como, aliás, fico sempre que o dr. Baptista Coelho e o dr. Cluny, do Sindicato do Ministério Público, expõem as suas razões. Talvez alguém com mais senso lhes devesse explicar que o país já não é assim tão estúpido quanto eles imaginam.
2. Preparada "durante um ano", ensaiada ao pormenor, de véspera e por mais de 60 pessoas envolvidas, a "mega-operação" de "flagra" sobre a banca cobriu-se de ridículo à nascença. Numa operação capaz de abalar todo o sistema bancário, onde tudo deveria ser tratado com pinças e total discrição, logo a abrir, as autoridades apresentaram-se no primeiro banco sem um mandado de busca em condições; depois, mandaram-no vir por fax para o próprio banco a rebuscar, esquecendo-se de apagar do cabeçalho o nome dos restantes alvos a surpreender e das suspeitas que sobre eles recaíam. Como é óbvio, meia hora depois, Lisboa inteira já sabia o que estava em curso, e, perante tão chocante incompetência dos seus serviços, o senhor procurador-geral da República não encontrou melhor maneira de disfarçar a vergonha do que mandar instaurar um processo por violação do segredo de justiça... aos jornalistas! Digamo-lo tranquilamente: num país a sério, o senhor procurador-geral e a senhora procuradora adjunta que dirigiu a operação teriam apresentado a sua demissão ou estariam demitidos no dia seguinte. Aqui, estão em greve, pelo seu "prestígio" e, sobretudo, para que ninguém ouse beliscar esta santa impunidade funcional de que gozam e a que gostam de chamar "independência".
3. Nomeados pelo governo PSD, alguns administradores da CP e outros da Refer descobriram a fórmula genial de se porem ao abrigo das flutuações políticas e garantirem um emprego de futuro, muito para além dos três anos normais dos mandatos dos gestores públicos: os da CP foram nomeados para o quadro da Refer, com o cargo de directores e o lugar reservado até saírem da CP, e os da Refer fizeram o mesmo na CP.Descoberta a esperteza, chamados a explicarem-se e instaurados os respectivos processos de averiguações, os senhores administradores mantiveram a bola baixa, a ver se a coisa passava. Mas, concluídas as averiguações e na iminência de um despedimento com mais do que justa causa, os da Refer convocaram uma conferência de imprensa para despejar o saco: o que fizeram tratava-se de "um processo normal", que, aliás, tinham tido o cuidado de validar previamente junto do Partido Socialista, então oposição, e da senhora que depois viria a ser a secretária de Estado da tutela, no governo PS. Em seu entender, estaríamos assim perante um "saneamento pessoal e político", inclusive confirmado por suspeitíssimas informações circulando entre a Refer, o governo PS e as suas autarquias - de que só agora lhes ocorrera suspeitar.À noite, e depois de grandes cerimónias, o ministro despediu-os de vez. Mas eu aposto, infelizmente, que, por irregularidades processuais ou qualquer outro pretexto espúrio, e devidamente escudados em "pareceres" dos mestres de Direito sempre disponíveis, as vítimas hão-de ver a razão ser-lhes reconhecida por algum tribunal e tudo isto há-de acabar na conta dos contribuintes. Salve-se, ao menos, o desabafo: que país sem vergonha!
4. Está aberta a época sazonal de um desporto típico da cena portuguesa: a caça ao intelectual/artista/ músico/jornalista/desportista, por ocasião das presidenciais. De cinco em cinco anos, aí temos a lista, actualizada diariamente, das novas adesões aos candidatos. É um espectáculo digno de lástima: nomes consagrados, nomes ainda na infância da arte e nomes de absolutos desconhecidos ou falhados sem remissão possível acotovelam-se para ganhar meia linha de destaque no jornal do dia. Nunca percebi por que é que esta gente - a que tem valor - não é capaz de ficar quieta em casa e sente uma tamanha compulsão de aderência, como se o facto de o seu nome não constar de lista alguma fosse sinal de morte prematura. Ó, senhores artistas, intelectuais, desportistas: guardem-se para o 10 de Junho!

A EXCEPÇÃO DE JPP

Há uns tempos, Pacheco Pereira estabeleceu um conjuntinho solene de dez regras sobre os debates na blogosfera. Obviamente não se incluiu nelas. Pacheco Pereira nunca se inclui em nada: no PSD que o lançou, na Comunicação Social que domina, no sistema sobre o qual disserta. Talvez por isso pode gastar impunemente duas páginas da revista Sábado a dissertar sobre o “regresso” de Paulo Portas sem ter visto o programa com o qual este regressava – e sem ter ninguém, obviamente, a aplicar-lhe uma regra qualquer que exemplificasse a mediocridade do exercício. Confesso que não me apetece perder muito tempo nem com o tema nem com a pessoa: por razões que talvez a psicologia explique, Pacheco Pereira sempre teve uma obsessão doentia por Paulo Portas e por tudo o que lhe possa cheirar a “portismo”. Agora transformar o Acidental e a Atlântico (juntamente com o grupo parlamentar do CDS) nas “forças” de que Portas “dispõe” seria pura e simplesmente ridículo se não fosse esta desagradável mania “maoísta” de enfiar tudo no mesmo saco. As origens raramente se perdem!
A propósito, sou amiga de Paulo Portas desde os tempos d’ O Independente. Raramente estive de acordo com ele em matéria política. E não vou sequer tentar explicar por que é que a revista Atlântico não é o Caderno 3 d’ O Independente que, aliás, nos seus melhores tempos, foi dirigido por Miguel Esteves Cardoso.

O princípio do fim ?



Eis uma prova, sem margem para dúvidas, do que está a acontecer ao nosso planeta devido à acção malévola do homem.
Aqui podem ver o artigo da BBC e todas as fotos.

Não há uma sem duas, nem duas sem três...ad infinitum

Não terá certamente o perfil da Neide e para além disso é nossa compatriota, caramba!

«Match Point», de Woody Allen

Na passada sexta-feira desloquei-me ao Norte Shopping e fui ver o filme Match Point do Woody Allen. Gostei. É daqueles filmes que nos fazem pensar depois de o vermos. No final percebemos que o crime compensa. Esta é a versão redutora. O filme tem muito mais.
Match Point tem um início muito revelador do próprio filme, pois vemos Chris a ler “Crime e Castigo”, de Dostoievsky. Chris passa uma enorme parte do filme dividido entre o bem estar e a riqueza que a sua mulher e respectiva família lhe oferece e a paixão desenfreada que sente por Nola. As constantes escapadelas são crimes no Tribunal da Consciência, mas Chris não parece preocupado. Ele tinha o melhor de dois mundos. O pior foi quando Nola decidiu que havia de ser tudo ou nada, obrigando-o a decidir. Chris não é uma personagem da profundidade de Dostoievskiana Raskolnikov, mas o drama moral do dilema e dos seus actos está presente. O filme começa com uma frase-síntese de toda esta formulação, que cito de memória: a vida é como a bola num jogo de ténis, sempre de um lado para o outro; mas, por vezes, acerta no topo da rede e todos ficamos a pensar se ela vai cair do nosso lado, e perdemos, ou vai cair do outro, e ganhamos… Chris é um ex-tenista profissional que quase alcançou o topo. Agora dedica-se a ensinar ténis num exclusivo clube londrino, onde ganha para viver e onde conhece Tom, herdeiro de uma grande fortuna. Os dois entendem-se e o primeiro convida-o para ir à ópera com a família. Com gostos culturais clássicos, Chris aceita. Conhece Chloe, irmã de Tom, acabando os dois por se envolver emocionalmente. Tempos depois, numa festa em casa dos pais da namorada, Chris conhece a sensual Nola, noiva de Tom, por quem fica imediatamente apaixonado. Depois de um affair entre ambos, Nola desaparece. Chris casa com Chloe, o sogro oferece-lhe tudo, incluindo um emprego de topo e a vida não poderia correr-lhe melhor, não fosse o caso da sua mulher não engravidar. Eis senão quando Chris se volta a cruzar com Nola, ambos reatando a antiga paixão, mas de forma ainda mais intensa. Forçado, por uma Nola grávida, a escolher entre as duas mulheres, Chris vai hesitando, até que, finalmente, decide acabar com o dilema…
Resumidamente e desprovido de imensos pormenores que fazem a diferença, eis o resumo de, sensivelmente, dois terços do filme. A parte restante não a vou revelar, mas posso garantir que é fantástica.
Então, com a bola em cima da rede, será que vai cair do lado da esposa fiel ou da amante lasciva?
Woody Allen acertou em cheio nos actores de Match Point. Jonathan Rhys Meyers está absolutamente soberbo no papel de Chris. O filme gira todo à sua volta, mas o actor tem qualidade suficiente para se desenvencilhar de momentos tão diferentes e de amplitude tão vasta como os de intensa paixão e os de profundo desespero. Scarlett Johansson está sensualíssima: no vestir, no olhar e, especialmente, na voz, rouca e quente. À sua volta, uma mão cheia de secundários que jamais ofuscam as verdadeiras estrelas do filme, antes as fazem brilhar ainda mais.
Há mesmo muito tempo que não via um filme de Woody Allen tão bom. Tudo, em Match Point, roça a perfeição. O argumento é soberbo, desenvolvendo-se numa feliz conjugação de racionalidade e surpresa; os actores, magníficos; a realização oscila entre os grandes planos, mostrando nas faces das personagens todos os contornos da história, e planos abertos, onde Londres ganha um enquadramento diferente aos olhos de um americano…
E por falar nisso, não deixa de surpreender o virtuosismo de Woody Allen. Newyorker obsessivo, passou toda a sua carreira a mostrar a sua a sua cidade, bebendo os seus sons sofisticados com especial destaque para o jazz, a sua cultura pop e pseudo-intelectual de vanguarda, sem esquecer os mais belos planos urbanos da história do cinema. Mas, agora, a convite da BBC, foi filmar para Londres. Quem pensar que esta mudança geográfica deixou Allen “como peixe fora de água” está totalmente enganado. O realizador vestiu a pele britânica que lhe assentou como uma luva. Assim, em vez de edifícios arquitectonicamente modernos, temos mansões seculares. Em vez de modernos analistas da alma, como Freud e Jung, temos esse espeleólogo de almas que dá pelo nome de Dostoievsky. Em vez de jazz, temos ópera. Com tais ingredientes, é óbvio que o resultado só poderia ser um filme verdadeiramente clássico, uma tragédia como “La Traviatta”, de Verdi, que Chris vai assistir no Royal Albert Hall (e não ao Rádio City Music Hall…).
Há quem diga que os grandes filmes são aqueles que nos possibilitam várias camadas de leitura, ou análises válidas a partir de diferentes pontos de vista. A isto adicionaria uma outra característica: são aqueles que nos fazem pensar muito depois de termos saído da sala de cinema.
Game, set and match: Mr. Woody Allen.

EXPLICAÇÕES DE PORTUGUÊS (1)

"Percussor, percursor ou precursor?"

- Percussor (como percutor) designa aquilo que percute; pode ser também uma peça metálica usada para percutir.

Ex. “Um percussor permite a propagação de um som.”

- Percursor denomina aquele e/ou aquilo que percorre, que passa por, que examina e/ou explora.

Ex. “O Abel é o percursor da secção onde se embalam as mercadorias.”

- Precursor refere-se ao que “corre antes” (pré + correr); anuncia algo antecipadamente; precede o que vai acontecer.

Ex. “Júlio Verne foi um precursor da ficção científica moderna.”

Rochoso, Gelado e a 20 Mil Anos/Luz

Na imagem: representação artística do novo planeta (ESO)



Astrónomos descobriram um planeta extra-solar mais parecido com a Terra do que qualquer outro até agora descoberto. É possível afirmar-se isto porque, até agora, só tínhamos detectado gigantes gasosos como Júpiter. Este é diferente: tem uma massa cerca de cinco vezes maior do que a Terra e, tal como o nosso planeta, uma superfície rochosa.

Mas as semelhanças acabam aqui. O planeta orbita uma estrela anã vermelha uma vez em cada dez anos. Esta estrela tem 5 vezes menos massa do que o Sol e é muito mais fria. Tendo isto em conta, calcula-se que a temperatura na superfície do novo planeta ronde os 220 graus negativos – demasiado gelado para que a água possa existir em estado líquido. Mas os astrónomos acreditam que o planeta possa ter uma fina atmosfera, ainda que a sua superfície rochosa deva estar soterrada sob um enorme manto de gelo.


É mais correcto dizer-se que o planeta agora descoberto é mais parecido com Plutão do que com o nosso.

Também está muito mais longe: a estrela à volta da qual orbita encontra-se a 20 mil anos/luz de distância, não muito longe da região central da Via Láctea, a nossa galáxia. Se conseguíssemos construir uma nave espacial que viajasse a velocidades próximas dos 300 mil quilómetros por segundo, demoraríamos, mesmo assim, mais de 20 mil anos a chegar lá. Isto é para terem uma ideia das distâncias envolvidas. Mais extraordinário é que, dada a infinita dimensão do Universo, descobrir um planeta a 20 mil anos/luz é quase como dizer adeus ao vizinho do lado. Por exemplo, a galáxia que se encontra mais perto da nossa – a vizinha Andrómeda – fica a 2 milhões de anos/luz de distância.

Ainda não foi desta que demos com um planeta com características especiais que nos levem a acreditar que a vida extraterrestre pode ser possível. A existir, esse tipo de planeta será muito, muito difícil de detectar, e mais ainda de investigar. Seja como for, nem sequer é por causa de hipotéticos homenzinhos verdes que esta descoberta é importante. Como afirmou Uffe Gråe Jørgensen, do Instituto Niels Bohr, em Copenhaga, Dinamarca, e membro da equipa de investigação, “este é o primeiro planeta a ser descoberto cujas características parecem bater certo com as teorias de formação do Sistema Solar”.

Andamos às voltas com esta teoria há muito tempo. Temos uma ideia do que poderá ter acontecido, mas não temos forma de a demonstrar inequivocamente. De uma forma geral, aceita-se que a formação de sistemas planetários resulta da acumulação de pedaços sólidos de matéria que depois acabam por formar o núcleo dos planetas. Os cientistas chamam a esses pedaços “planetesimais”.

Estes núcleos, depois de formados, podem acretar gás da nebulosa que os rodeia dando origem a gigantes gasosos como Júpiter, desde que a massa desses núcleos cumpra os “mínimos olímpicos”. Caso contrário, são rochosos.

Segundo este modelo, em órbita de estrelas anãs vermelhas, é provável a formação de planetas com massas entre a da Terra e a de Neptuno, e com órbitas que variam entre 1 a 10 vezes a distância que separa o nosso planeta do Sol (cerca de 150 milhões de quilómetros).

A presença deste novo planeta pode levar-nos a duas importantes conclusões. Primeiro: se o modelo está certo ali, é possível que bata certo no nosso Sistema Solar. Segundo: os planetas de superfície rochosa são capazes de ser mais comuns do que os gigantes gasosos.

O que nos leva outra vez à questão da vida extraterrestre. Infelizmente, ainda nos faltam umas boas centenas de milhares de anos para podermos ir bater à porta do vizinho e saber se, afinal, está alguém lá em casa.

La Tigre e la Neve

La Vita è Bella” foi o filme que lançou Benigni para o estrelato. O drama de um pai que consegue manter o filho vivo e feliz num campo de concentração foi um daqueles filmes que marcou a sua época (final dos anos 90), relançou a confiança mundial no cinema europeu e é na minha opinião um dos melhores filmes de sempre.
Frase como “Mille punti!” ou “Buon giorno, Principessa!” são inesquecíveis e Benigni será para sempre recordado por isso. Nos anos que se seguiram com “Pinocchio” e participações no filme “Astérix et Obélix Contre César” caiu na vulgaridade, esta era a última oportunidade de relançar a carreira. E aqui Benigni, com o seu tradicional ar cómico e as diversas desaventuras que atravessa, torna-se um Chaplin dos nossos tempos.
Em “La Tigre e La Neve” repete a receita vencedora da obra-prima: um homem invulgar, divertido, indiferente ao perigo e muito apaixonado, totalmente fascinado por uma mulher, vê-se separado dela pela guerra. Quando a sabe ferida nos confins do mundo, a sua dedicação irá levá-lo até lá e o Amor irá realizar todos os milagres necessários para a salvar.
Desde a primeira cena, em que um estranho casamento é interrompido, o espectador é confrontado com a possibilidade de o filme não seguir os padrões habituais. Quem não viu “La Vita è Bella” adorará este filme, quem viu irá pensar que é o mesmo. Benigni não pode ser criticado por ter repetido o seu único êxito, se o primeiro foi um filme do agrado de todos, este também o poderia ser. Numa época em que os efeitos especiais são o actor principal, o regresso às simples estórias de amor deve ser aplaudido.

Título Original: "La Tigre e la Neve" (Itália, 2005)
Realização: Roberto Benigni
Intérpretes: Roberto Benigni, Nicoletta Braschi, Jean Reno, Tom Waits
Argumento: Roberto Benigni e Vincenzo Cerami
Fotografia: Fabio Cianchetti
Música: Nicola Piovani e Tom Waits e Kathleen Brennan com a canção "You Can Never Hold Back Spring"
Género: Comédia/Drama/Guerra/Romance
Duração: 114 min.
Sítio Oficial:
http://www.letigreetlaneige-lefilm.com/

João Soares...

Para João Soares, o tom das críticas à ausência da maioria dos deputados na passada quarta-feira, “é completamente exagerado e tem sinais de antiparlamentarismo”. O deputado do PS esteve no Parlamento nesse dia, mas saiu para ir a uma consulta médica, faltando à votação. E diz que este episódio “não” afecta a credibilidade dos deputados. Com 21 faltas justificadas desde 15 de Setembro, João Soares é o terceiro deputado da lista de parlamentares mais faltosos.[CM]

Seguindo os passos do paizinho, sempre protegendo o status-quo que permite à oligarquia parlamentar estas frescuras tropicais. Um belo representante do deputado que o país dispensava de bom grado.

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